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Sexta-feira, 05 de agosto de 2011
ACERVO – Prédio foi reconstruído e entregue em abril deste ano. Ideia  é aproveitar o espaço para atividades culturais, como ocorreu no passado

Reconstrução do Gabinete de Leitura resgata parte da história da Cidade

Por Secretaria de Governo / Departamento de Comunicação Social

comunicacao@itanhaem.sp.gov.br
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Inaugurado há 115 anos, o Gabinete de Leitura de Itanhaém representava muito mais que um simples espaço dedicado a leitura. Por várias décadas, o espaço serviu como um autêntico reduto cultural, reunindo um acervo valioso e diversas atividades ligadas as artes e a cultura em geral. Mas enfrentou um período de decadência e acabou sendo demolido. Este ano, a Prefeitura resgatou a memória do antigo monumento, concluindo a reconstrução do prédio em sua característica e posição originais, ao lado do Cruzeiro existente no início da rampa do Morro do Convento, no Centro.

Na verdade, a história do Gabinete começou um pouco antes. O escritor José Carlos Só, em seu livro Itanhaém – Histórias e Estórias, revela que ela se iniciou no ano 1888, através da ação de personalidades da época, como Isaías Cândido Soares, que junto com João Batista do Espírito Santo teve a ideia inicial para a fundação do Gabinete.

Os dois espalharam a ideia entre amigos, visando fundar uma Associação Cultural. Nessa época, Isaías se encontrou com Benedito Calixto, seu parente e amigo de infância que estava de passeio em Itanhaém. De imediato, Calixto aderiu a proposta, sugerindo entretanto que devia ser fundada uma associação com objetivos mais amplos, ou seja, além dos jornais, deveria ter livros, museu, biblioteca, teatro, conferências, e até aulas noturnas para o povo de Itanhaém.

Calixto aconselhou-o a concretizar rapidamente a Associação Cultural, aproveitando a presença em Itanhaém do eminente médico de Santos, Henrique da Cunha Moreira, que mais tarde foi eleito deputado da então Província de São Paulo.

Muitas pessoas trabalharam com entusiasmo para a fundação, inclusive Narciso de Andrade e João Mariano Soares, ambos incentivadores da criação do Gabinete.

Em 20 de julho de 1888, houve a primeira reunião na casa de Manoel Antonio Ribeiro, onde no final, foi lavrada a ata de fundação da Associação Cultural, que recebeu o nome de Gabinete de Leitura. No dia 5 de agosto de 1888, na residência do Capitão Júlio Agostinho dos Santos, sob a presidência de Cunha Moreira, foi solenemente inaugurado o Gabinete de Leitura Itanhaense, em sede provisória. Naquele dia estiveram presentes várias autoridades, a banda de música e o povo em geral.

Em 5 de agosto de 1896, quando o Gabinete era presidido pelo coronel Narciso de Andrade, foi inaugurada a sede social, que ficava ao lado do Cruzeiro, na subida da rampa do convento. Segundo conta o artigo de Vital Ferreira "O Gabinete de Leitura Itanhaense", no relatório de 1896, existiam na sua biblioteca  1.043 volumes impressos, 10 manuscritos de grande valor, 12 mapas, 18 jornais (15 por assinaturas e 3 de cortesia).

Em maio de 1900, houve uma grande exposição em São Vicente, como parte das comemorações da inauguração do Monumento ao IV Centenário da descoberta do Brasil. O Gabinete de Leitura participou do evento, expondo vários objetos do seu museu, entre os quais as dragonas e as insígnias do Capitão-Mor de Itanhaém de 1700.

No dia 8 de setembro de 1922, Benedito Calixto proferiu uma palestra no Gabinete em comemoração ao primeiro centenário da  Independência do Brasil.

José Carlos Só cita ainda em seu livro um artigo do jornalista Edson Telles de Azevedo, publicado no jornal A Tribuna de 7 de setembro de 1958, que informava que no Gabinete de Leitura havia dois armários envidraçados, um de cada lado, que continha cartuchos, balas e espadas do tempo da Guerra do Paraguai, livros, medalhas e medalhões, ossário de baleia e peixes, arcos, flechas, colares e objetos de uso dos índios. Havia também retratos de figuras conhecidas da Cidade, como Vitor Hugo, Benedito Calixto e Narciso de Andrade.

Um pequeno palco foi construído nos fundos do prédio e muitas peças teatrais foram ali encenadas. Em geral eram comédias escritas com a colaboração de Benedito Calixto e Emygdio de Souza. Na gestão de João Alves Ferreira foi acrescentado um pano de boca no palco, com pintura de Calixto, representando as caravelas de Martin Afonso adentrando na barra para a fundação da Vila..

Conforme relato de antigos moradores, em 1949, um barbeiro chamado Estevam, resolveu fazer um baile de carnaval no salão do Gabinete de Leitura, e como precisava de bastante espaço, pegou os livros, jornais, quadros, armários, etc, e colocou-os no porão sem proteção especial. O baile foi um sucesso. Lotou tanto que arriou o assoalho. Os materiais guardados no úmido porão, não foram recolocados nos seus devidos lugares.

No ano seguinte, lembrando do sucesso anterior, o barbeiro resolveu fazer um novo baile de carnaval, porém notando que o piso estava arriado, contratou um carpinteiro para fazer o conserto. Antes ele decidiu fazer uma limpeza geral no porão e colocou quase todos os objetos que ali se encontravam, dentro de uma carroça, e jogou todo o material no local que hoje é o Mercado Municipal de Itanhaém.

Pessoas que passavam próximo do local pegaram boa parte desse acervo. Um deles obteve o livro de registro da Câmara, com 157 folhas manuscritas em ótima caligrafia, contendo nomeações de professores, dotações de verbas para presos, registro de visitas ilustres, registro de circulares do Governo de São Paulo, etc. A data mencionada na primeira folha é de 15 de novembro de 1855.

A partir de então, vários bailes se realizaram naquele salão, o qual serviu durante muito tempo de sede do Esporte Clube São Paulo. Os anos foram passando, o prédio se deteriorando e as autoridades se omitindo, até que foi feita a demolição final do Gabinete de Leitura sonhado para dar cultura e lazer à nossa população. No dia da demolição, não houve festa, nem autoridades e nem a banda tocando.

Fonte bibliográfica: "Itanhaém Histórias & Estórias" (José Carlos Só)

   
 
   
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