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Análise Histórica I

Portugal, na época dos descobrimentos, nominada como a época das Grandes Navegações, após o fracasso e o extermínio de muitas culturas da África e habitantes da Europa através das Cruzadas, investiu, através do Infante D. Henrique, em uma escola de formação e estudos cartográficos que se tornou famosa em toda a Europa, despertando a cobiça pelas riquezas do oriente.  

A Escola de Sagres foi uma lenda criada por poetas românticos portugueses do século XIX. Na verdade, foi do porto de Lagos, no sudoeste de Portugal que a Ordem de Cristo, liderada por D. Henrique, deflagrou a expansão marítima do século XV.  

Em 1416, quando assumiu o cargo de Grão-Mestre, D. Henrique lançou-se à diplomacia. Haviam se passado cem anos que os cavaleiros templários haviam sido condenados nos processos de Paris e o Vaticano estava preocupado com a pressão muçulmana sobre a Europa, que crescera muito no século XIV. Com isso, em 1418, o Infante consegue do Papa um aval ao projeto expansionista. Daí em diante, cada avanço para o Sul e para o Oeste seria seguido da negociação de novos direitos. Em um século, os papas emitiram onze bulas privilegiando a Ordem de Cristo com monopólios da navegação na África, posse de terras, isenção de impostos eclesiásticos e autonomia para organizar a ação da Igreja nos locais descobertos.  

À medida que foi sendo consolidado o comércio na rota das Índias, a partir de sua descoberta em 1498, a coroa foi absorvendo gradualmente os poderes da Ordem de Cristo. Em 1550, o rei D. João III fez o Papa Júlio III fundir as duas instituições. Com isso, o grão-mestre passou a ser sempre o rei de Portugal, e o seu filho tem o direito de sucedê-lo também no comando dos cruzados. 

A Ordem de Cristo controlou o conhecimento das rotas e o acesso às tecnologias de navegação enquanto pôde. Mas com o ouro descoberto na Guiné, em 1461, o monopólio da pilotagem passa a ser cada vez mais desafiado. A partir de então, multiplicaram-se os contratos com comerciantes e as cessões de domínio ao rei para exploração das regiões descobertas. Aos poucos, a sabedoria secreta guardada em Tomar foi sendo passada para mercadores de Lisboa, Flandres e Espanha. Portugal naquela época fervilhava de espiões, especialmente espanhóis e italianos, que procuravam os preciosos mapas ocultados pelos cruzados.  

A Espanha, tradicional adversária de Portugal, também fazia política no Vaticano para minar os monopólios da Ordem, em ação combinada com seu crescente poderio militar. Em 1480, depois de vencer Portugal numa guerra de dois anos na fronteira, os reis Fernando, de Leão, e Isabel, de Castela, começaram a se interessar pelas terras de além mar. Com a viagem vitoriosa de Colombo à América, em 1492, o Papa Alexandre VI, um espanhol de Valência, reconheceu as duas bulas, as Inter Caetera, o direito de posse dos espanhóis sobre o que o navegante genovês havia descoberto. O rei não se conformou e ameaçou com outra guerra. A controvérsia induziu os dois países a negociarem, frente a frente, na Espanha, em 1494, num tratado para dividir o vasto novo mundo que todos pressentiam: o Tratado de Tordesilhas.  

Na volta da viagem à América, em 1493, Cristóvão Colombo fez uma escala em Lisboa para visitar o rei de Portugal, D. João II. Um gesto corajoso, pois o rei passa a reclamar do papa direitos sobre as terras descobertas. Como a reivindicação não foi atendida, acabou sendo obrigado a enviar os melhores cartógrafos e navegadores da Ordem de Cristo, liderado pelo experiente Duarte Pacheco Pereira, a Tordesilhas, na Espanha, para tentar um tratado definitivo, mediado pelo Vaticano, com os espanhóis. Só o Vaticano podia mediar e legitimar negociações entre países. Pelas bulas Inter Caetera, os espanhóis tinham direito às terras situadas mais de 100 léguas a oeste e sul da ilha dos Açores e Cabo Verde. Pelo acordo de Tordesilhas, a linha imaginária que ia do pólo norte ao pólo sul, foi esticada para 370 léguas, reservando tudo o que estivesse dentro desse limite para os portugueses, entre estes países estão o Brasil inclusive.

 
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