Spasia nasceu em São Bernardo do Campo em 29 de dezembro de 1899. Filha de Lorenzo Bechelli e Maria Bechelli, demonstrou amor e carinho pela cidade que nos anos de 1936 e 1937 governou para ser a primeira prefeita do Brasil.
Num passeio com a família na Itália, conheceu Mansuetto Cecchi, com quem casou-se. Viveram na cidade de São Bernardo do Campo, e em seguida, Ribeirão Pires. De lá, mudaram-se para Itanhaém, onde Mansuetto fazia exploração da cacheta, madeira leve que na época era muito utilizada para a fabricação de tamancos e carvão vegetal.
Não precisamos a data em que o casal veio residir em Itanhaém. Spasia Albertina Bechelli Cecchi foi a primeira prefeita mulher do município de Itanhaém e do Brasil, sendo eleita pelos vereadores da Câmara Municipal no dia 23 de maio de 1936, sendo que o juiz de direito da 1a. Vara de Santos, Dr. João Nogueira de Sá, foi quem deu a posse aos vereadores. Terminou seu mandato no dia 26 de outubro de 1937.
Sobre seu governo, além da reurbanização da Praça central, com nova arborização, o Jornal de Itanhaém publicou um artigo em sua primeira edição: "Notável vem sendo a actuação da senhora Spasia Albertina Bechelli Cecchi na chefia do Executivo Municipal. Itanhaém deve-lhe já, não obstante o pouco tempo decorrido de sua administração emprehendimentos dos quaes promonarão (?) benefícios de valor extenso, avultando entre elles os que se prendem ao abastecimento de água, ao combate ao iletrismo e ao problema da habitação.
A cidade remoça-se, animada com as realizações em marcha, dando-nos a certeza, mercê dos esforços crescentes da Senhora Prefeita que tem encontrado decisivo apoio do Governo do Estado em suas inciativas, de que rápido se assignalará o progresso local, nos seus diversos setores de labor.
À senhora Spasia Albertina Bechelli Cecchi, as saudações respeitosas do "Jornal de Itanhaém", que a partir de hoje se propõe a cooperar no mesmo desideratum".
Em 1942-43, o casal foi residir novamente em Ribeirão Pires, tendo em vista que durante a 2a. Guerra Mundial estrangeiros não podiam residir no litoral. Lá, Mansuetto possuiu armazém e trabalhou com construção civil, fazendo inclusive a abertura de alguns loteamentos como Vila Albertina, em homenagem à esposa. Em Santo André, loteou as partes I e II da Vila Progresso, Jardim Stela, Bela vista, Leopoldina, São João, Condomínio Santa Terezinha, Vila Mansuetto Cecchi e Vila Homero Thon, além do Jardim Brasil e Vila Bruna no município de São Paulo.
Num passeio pela Itália, Albertina faleceu em 1964. Em 1970, também num passeio pela Itália, faleceu Mansuetto. Foram enterrados na Itália, na região onde se conheceram e casaram. O casal não teve filhos.